quinta-feira, 12 de junho de 2008

Primeira pessoa do plural

E como sempre eu nunca sei onde está o que preciso no momento exato que procuro. É de praxe. O desespero bate e eu faço promessas. Repito que tentarei ser mais organizada, proponho mentalmente em milésimos de segundos que logo apagarei da memória um sistema que garanta a ordem de tudo. Justamente hoje, afinal o dia da agonia presente é sempre o pior. Se já passou, já foi, não dói mais… Entretanto agora é sempre pior.

Olho o relógio e prevejo mais um atraso. Diferente seria se isso não acontecesse. Não seria eu, como você mesmo diz. Mas eu juro que hoje comecei o ritual mais cedo. Cronometrei meus passos. O problema foi que no “pulo do gato” abri a gaveta.

A desculpa seria a procura de um dos meus anéis preferidos. Como vivo entre os momentos que estou com ele em minha mão direita e os outros tais que o perco, nada era novidade.

No entanto, apesar do caos em meu quarto, eu sabia que ele jamais estaria por ali. A terceira gaveta do lado esquerdo tem vida própria e dificilmente acolheria minha prenda.



Caí na tentação de abri-la.

Encontrei:
  • Sorrisos diluídos em 10x15
  • Guardanapos timbrados com lábios rubros
  • Melodias que provocam aquele gostoso e às vezes doloroso “musicaos” aqui dentro
  • Prosas poéticas
  • Psicotrópicos de desejo
  • Cartões de uma visita permanente
  • Diários de bordo do cotidiano
  • Amostras grátis de respeito
  • Excesso de bagagem que garantem a leveza do espírito
  • A antologia incompleta de teus beijos
  • Gradientes de paixão
  • A frangrância que me faz suspirar e desejar perder o equilíbrio
  • Manuais nada secretos sobre elementos essenciais dessa parceria
  • Sentimentos sem margem para photoshop
  • Compilações de mistérios próprios
  • Constâncias inconstantes
  • Overdoses de cumplicidade
  • Traços nem sempre lineares, no entanto intensos
  • Vazios completados por peças de quebra-cabeças que só a gente entende

Sem muito esforço, na ausência de películas, chassis ou qualquer químico consegui revelar ali a digital de um amor infinito; passagens de ida para um sequestro sem resgate.

Romina Cácia

7 comentários:

Moreofapainter disse...

aiai.. essas estórias de gavetas.. não sei pq as pessoas não escrevem + sobre gavetas, pias de banheiro, escrivaninhas, sofá da sala, geladeira, e todas as coisas q dormem e acordam c/ a gente, onde vão sendo depositadas e impressos fragmentos da nossa vida.. são as coisas q + contém a essência da gente, um pouco de tudo q a gente gosta, quer ter por perto ou simplesmente fez parte da vida da gente, e ficou lá, pronto p/ atiçar uma lembrança, contar uma história. Essas coisas d objetos me lembra o filme 'Retratos de uma Obcessão', mas claro, com mto menos poesia doq vc conseguiu fazer aqui =}

+ 1x, adorei..! Vc é minha autora preferida, viu? =***

Unknown disse...

hum...
próxima vez q eu estiver no teu quarto, vou abrir a gaveta...
creio q encontrarei muitas surpresas aí, neh?
hhehehehehehe!!!

estaria guardada numa gaveta todos os segredos de romina cácia?

P.S.: adorei a ilustraçao, bem escolhida!

Geov Bio disse...

um bjo pra tu, pequetita

Manoela Lemos disse...

ow, como vc consegue transformar meras palavras em um retrato perfeito !

já virei fã.

=**********

lelia disse...

tem gente q tah ficando famosa!!!
hehe
;)

Cla disse...

Gostei mucho!
=)

Anônimo disse...

eu ia apenas comentar que nada me deixa mais puto do que procurar algo que não consigo encontrar em meio às minhas bagunças quando você resolveu abrir a sua gaveta e matar a pau nas imagens e associações. bem louco. quero um psicotróprico de desejo pra mim tb.